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Pacto de Ódio

Pacto de Ódio - Capítulo Final


-Mestre, meu filho... por favor, mestre, diga-me o que houve com Lucian! – implorou Susan, com os olhos transbordados em lágrimas. Seu marido estava postado ao seu lado, segurando fortemente em seu ombro, de cabeça baixa.

O mestre, com suas vestes negras de veludo, estava sentado elegantemente numa poltrona vermelha, segurando uma belíssima taça de cristal com relevos, cheia de um líquido escarlate e chamativo. Sob a mesa, um vaso sem flores, uma garrafa, taças e um punhal. A sala estava quente devido a lareira acesa, mas toda a mansão estava turbulenta diante dos novos rumores.

-Ele falhou – disse, bebericando o sangue.

-O-oque? Não, mestre... Como assim? – choramingou a mulher.

-Ele matou a mestiça; matou aquela que usaríamos em nossas pesquisas – disse num tom falsamente agradável - Nosso plano foi por água a baixo, Susan querida.

-Mas... onde ele está, mestre? – perguntou receoso o homem.

-No céu. – ele tomou um longo gole.

-C-como? – perguntou incrédula a mulher.

-Ela se envolveu com o anjo enviado; o nosso inimigo – o homem de cabelos negros estreitou os olhos e a suavidade de seu rosto desapareceu, a taça em sua mão explodiu devido a força em que ele a apertava – Lucian matou a mestiça e se uniu ao anjo – disse, com ódio – eles fizeram o pacto.

-Não – sussurrou Susan, aos prantos.

-Já estão mortos; vão reencarnar em breve, suponho – disse num suspiro pesaroso – perdemos um futuro grande líder, uma pena.

Ele pegou outra taça na mesa, encheu-a com sangue e tornou a bebê-la. Susan, com ódio, pegou o punhal em cima da mesa e cravou em seu próprio peito. O mesmo fez seu marido, mas nenhum dos dois puderam reencontrar Lucian, nem se vingar do anjo que o tornou impuro.
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Pacto de Ódio

Pacto de Ódio - Capítulo III



No segundo intervalo das aulas, Lucian estava sentado num canto isolado do pátio, no chão, olhando incrédulo para os dois idiotas, que pareciam se conhecer a anos, rindo feito amigos de infância. Ele sentiu uma pontada de raiva “como aquele maldito conseguiu...? Em tão pouco tempo?”

O vampiro mordeu os lábios com força, socou o chão com violência e fechou os olhos, inclinando a cabeça para cima e batendo-a repetidamente na parede. Quando abriu os olhos, o choque com o sol das 11 da manhã o fez estremecer e abaixar a cabeça rapidamente, encarando seu All Star preto e rasgado. Isso não vai ficar assim, definitivamente não vai!

•●†●•

-Então, quer dizer que você foi adotada quando tinha seis anos?

-Ah, pois é, eu tive sorte nisso... meu pais são muito bacanas.

-Hm...

Aquele silêncio era mais desconfortável para Lauren do que Andrew podia imaginar. A garota evitava olhar em seus olhos, e parecia constantemente trêmula e indecisa, gaguejando e muitas vezes ficando sem palavras. Como agora.

O anjo riu discretamente. De forma sutil, se aproximou do outro no banco e segurou em seu queixo, obrigando-a, mesmo que de forma delicada, a olhar em seus olhos. Aquilo fez a mestiça ficar tensamente corada, ao mesmo tempo em que não conseguia encontrar – novamente – palavras para demonstrar seu espanto.
   
Ela sentiu arrepios subindo em suas pernas, acariciando seu peito e arranhando suas costas; acelerando ainda mais seu coração quando sentiu a boca do outro aprofundando-se na sua. Sua respiração falhava; as mãos do outro escorregavam em seus ombros e os arrepios ficavam menos inocentes. O beijo ficava menos inocente e os toques também.
    
O vampiro entrou na sala enfurecido, apanhou sua mochila e saiu da escola pelos fundos, bufando de raiva.
   
“Maldito desgraçado! Com ousa? Como... ele consegue fazer essas coisas? Não! Eu não vou perder para ele, não vou! Urgh, e essa mestiça de merda? Caiu logo de primeira na dele, o infeliz! Eu vou virar esse jogo, hoje mesmo!”

•●†●•

-Até amanhã, Lauren – disse o anjo, com seus olhos azuis mais hipnóticos do que nunca. O outro abriu a boca, mas não chegou a responder. Quando encerram o beijo, Andrew deu seu último sorriso e virou-se para ir embora.
   
Até o instante em que o anjo passou pelo portão, os olhos cor de mel ainda o acompanham. Lauren saiu de seu transe e começou a andar até o banheiro. Que loucura eu estou fazendo! Mal o conheci e já estou... ah, meu Deus! Droga, droga, droga! Eu só me fodo nessa droga de vida! Será que isso pode piorar?
   
Antes de terminar seu pensamento, sentiu alguém o observando pelo reflexo do espelho. Ela levantou a face e deu de cara com um garoto pouco mais alto do que ela, de vestes escuras e acessórios prateados. Ele não parecia ser um total desconhecido, mas Lauren não fazia idéia de onde o conhecia, e nem como ele havia surgido assim, tão sorrateiro, atrás de si.
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Pacto de Ódio

Pacto de Ódio - Capítulo I



O sentimento crucial que une dois inimigos pode ligá-los para sempre. E se distorcer conforme o tempo. Anjos e vampiros não podem se amar. Mestiços não podem existir.

As estátuas acinzentadas de anjos e santos pareciam ainda mais melancólicas vistas daquele ângulo, envoltas por uma névoa densa e espectral, e sob a luz de uma lua cheia amarela - que aparecia e sumia entre as nuvens negras.

Um grupo pequeno de mais ou menos dez pessoas caminhava entre os túmulos, com suas capas negras esvoaçando conforme seus passos. Quando se aproximaram do ponto mais antigo do cemitério, onde somente as criptas e as gavetas ficavam instaladas, eles formaram uma meia lua, deixando apenas um homem ao centro.
Sua expressão era felina e ameaçadora; a cabeça inclinada para baixo e as mechas negras caindo sob o rosto pálido, com os olhos escuros arregalados de um jeito acusador, mirando cada uma das silhuetas a sua frente. Todos os familiares permaneceram inertes.

- Vocês sabem por que estão aqui? – disse o homem, com sua voz rouca e suave – Sabem por que os convoquei esta noite? – todos negaram levemente com a cabeça – Pois bem, chegou ao meu conhecimento uma notícia um tanto... desagradável. Há quatorze anos, quando a jovem Lohane resolveu quebrar nossas regras e fugir com aquele humano, vocês lembram? Sim, claro que lembram, foram vocês que a acobertaram, não é? – todos de moveram, desconfortáveis – Mas vejam só, meus amigos, a imprudência dela a levou para o túmulo, junto com seu pútrido e amado humano, fato que comprova o que acontece com quem desrespeita as minhas regras. No entanto, recentemente chegou ao meu conhecimento que Lohane estava grávida naquela época – ele parou frente a uma moça de longos cabelos castanhos – Alguém nega que sabia disso?

-Mestre, achamos que...– sussurrou a mulher, mirando o chão sem piscar – achamos que o bebê havia morrido também.

-Olha só, vocês sabiam que ela tinha tido um bebê. Uma... – ele franziu o rosto numa expressão de nojo – mestiça.

-Mestre, perdoe nos... – sussurrou o homem ao lado da moça, com a voz trêmula.
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