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  • Creepypasta
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    Portal da Mente
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    O Sanatório de Waverly Hills
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  • Stop Motion
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    Apenas um desenho...
    Até que ponto um simples desenho é inocente? Existem coisas macabras no mundo, e este vídeo certamente é uma dessas coisas. Confira! Leia Mais...

Contos e Encontros Anormais

Contos e Encontros Anormais - Capítulo V


Uma fila enorme se formou em direção ao Bloco 3, seguindo até o estacionamento inferior da escola. Miranda Scarlet pedira autorização à direção para realizar tal feito, a fim de pedir explicações aos alunos que poderiam ter vivenciado os últimos acontecimentos. No começo da fila, que calhava na última sala do Bloco 3, quatro alunos eram chamados por vez, onde apresentavam histórias do que havia de fato ocorrido.

Após uma hora e meia de falatório e pequenos depoimentos, Matheus parou em frente a Miranda com cara de assustado. É o mesmo garoto que desceu as escadas correndo avisando sobre o corpo da professora Fernanda no laboratório de informática. 

-Qual seu nome e idade? - Disse Miranda.

-Matheus Villalobos Braz, 17 anos.

-Terceiro ano, Matheus?

-Segundo, fui reprovado no ano passado.

-O que tem a dizer sobre o que presenciou? Como achou o corpo da professora Fernanda no laboratório?

-Fui pegar um trabalho que havia deixado com ela num pen-drive e quando entrei na sala ela estava daquele jeito horrível. - Sua pele adquire um tom verde, o que mostra claramente que o nojo retorna à sua lembrança.

-A garota que estava com você também foi junto?

-Sim, a Jaqueline estava comigo na hora. Ela foi buscar a nota da última prova que fez, e fomos juntos. 

-Viram alguma coisa de errado no ambiente do laboratório? Algo que sugerisse briga ou invasão? - Pergunta a perita, examinando cada traço facial de Matheus.

-Bom, tirando o fato que estava muito gelado no laboratório, não vi nenhum sinal de briga, mesmo por que havia apenas cinco minutos passados do fim da aula. Tínhamos praticamente acabado de sair, não daria tempo de ter uma briga e ninguém perceber.

-Havia algo de anormal no corredor? Alguém correndo ou com cara suspeita?

-Não, estava tudo normal. Pelo menos não notei nada fora do comum.

-Muito bem, isso já basta. Assine essa lista aqui ao lado e está dispensado. Tente não falar do caso para não alardear boatos, se possível

Matheus assinou a lista e se retirou, e logo foi seguido pelos outros três alunos que também estavam na sala falando com outros ouvidores. Na próxima chamada da fila, mais quatro estudantes entraram na sala para prestar depoimento sobre o que havia ocorrido. Entre eles, estava Heitor.

-Nome e idade, por favor.

-Heitor Nicolau Olivare, 16 anos.

-Segundo ano?

-Sim senhora.

-O que você tem para relatar?

-Na verdade não muita coisa... eu estava no Bloco 2 quanto aquele casal desceu as escadas berrando sobre um corpo. Então, subi junto com outros alunos e vi o corpo da professora no laboratório. Foi horrível.

-Aposto que foi. Notou algo de estranho no laboratório, algo que pudesse sugerir alguma discussão com violência?

-Não, nada parecido. 

-Como estava o clima do laboratório?

-Como é? - Pergunta Heitor, sem compreender o sentido da pergunta.

-Sensação térmica. Qual era?

-Bom, agora que paro pra pensar lembro que estava extremamente frio. Um frio absurdo, pra falar a verdade.

-Tem certeza que vinha do laboratório? Não era alguma janela do corredor que estava bem aberta?

-Não, tenho certeza. Esse tipo de frio é típico do inverno, por isso achei estranho. Parecia que somente o ambiente do laboratório estava com uns graus a menos. 

-Algo mais a declarar?

-Vocês já pensaram em outras possibilidades? Algo fora do comum?

-O que está sugerindo, Heitor? Como assim fora do comum?

-Algo que não possa ser totalmente explicado. As janelas do bloco explodindo de uma vez, uma professora morta de forma animalesca e um frio absurdo num laboratório... isso é estranho.

-Lidamos apenas com fatos, e os fatos apontam que estamos no caminho certo com a investigação. Demoraremos a descobrir o que houve por aqui, mas descobriremos cedo ou tarde. Agora, se não tem mais nada a acrescentar, assine a lista e está dispensado.

Heitor pegou a caneta e assinou a já usada lista de depoimentos de Miranda. Se dirigindo para fora da sala, foi até a biblioteca da escola se juntar aos amigos para discutir sobre o ocorrido.

-O que você disse, Heitor? - Perguntou Karol.

-Apenas o que presenciei. Mas tem algo muito errado nessa história... O clima no laboratório estava absurdamente frio, praticamente insuportável.

-Ah sim, os ares-condicionados devem permanecer resfriando o laboratório por causa das máquinas... - Explicou Leonardo.

-Sim, é verdade. Acontece que antes da professora morrer, deixaram eles ligados por tempo demais e acabaram queimando. Os ares-condicionados não estavam funcionando na hora que a professora morreu!

-Então como a temperatura estava tão baixa? - Perguntou Nayara.

-Ainda não sei, mas tenho uma pista que me diz como descobrir!
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Pacto de Ódio

Pacto de Ódio - Capítulo I



O sentimento crucial que une dois inimigos pode ligá-los para sempre. E se distorcer conforme o tempo. Anjos e vampiros não podem se amar. Mestiços não podem existir.

As estátuas acinzentadas de anjos e santos pareciam ainda mais melancólicas vistas daquele ângulo, envoltas por uma névoa densa e espectral, e sob a luz de uma lua cheia amarela - que aparecia e sumia entre as nuvens negras.

Um grupo pequeno de mais ou menos dez pessoas caminhava entre os túmulos, com suas capas negras esvoaçando conforme seus passos. Quando se aproximaram do ponto mais antigo do cemitério, onde somente as criptas e as gavetas ficavam instaladas, eles formaram uma meia lua, deixando apenas um homem ao centro.
Sua expressão era felina e ameaçadora; a cabeça inclinada para baixo e as mechas negras caindo sob o rosto pálido, com os olhos escuros arregalados de um jeito acusador, mirando cada uma das silhuetas a sua frente. Todos os familiares permaneceram inertes.

- Vocês sabem por que estão aqui? – disse o homem, com sua voz rouca e suave – Sabem por que os convoquei esta noite? – todos negaram levemente com a cabeça – Pois bem, chegou ao meu conhecimento uma notícia um tanto... desagradável. Há quatorze anos, quando a jovem Lohane resolveu quebrar nossas regras e fugir com aquele humano, vocês lembram? Sim, claro que lembram, foram vocês que a acobertaram, não é? – todos de moveram, desconfortáveis – Mas vejam só, meus amigos, a imprudência dela a levou para o túmulo, junto com seu pútrido e amado humano, fato que comprova o que acontece com quem desrespeita as minhas regras. No entanto, recentemente chegou ao meu conhecimento que Lohane estava grávida naquela época – ele parou frente a uma moça de longos cabelos castanhos – Alguém nega que sabia disso?

-Mestre, achamos que...– sussurrou a mulher, mirando o chão sem piscar – achamos que o bebê havia morrido também.

-Olha só, vocês sabiam que ela tinha tido um bebê. Uma... – ele franziu o rosto numa expressão de nojo – mestiça.

-Mestre, perdoe nos... – sussurrou o homem ao lado da moça, com a voz trêmula.
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Contos e Encontros Anormais

Contos e Encontros Anormais - Capítulo IV


Miranda Scarlet entrou no Necrotério Municipal precisamente às 15:00 h. Mesmo após mais de uma semana da morte da professora, ainda havia muita coisa a ser feita. 

Miranda vestia um vestido preto que lhe caía até os joelhos, coroado por um xale de mesma cor sobre os ombros. No balcão, a secretária fazia anotações quando percebeu a perita no local.

-Pois não?

-Miranda Scarlet, vim falar com Ricardo. 

-O senhor Ricardo está na sala de perícia. Ele ficará livre às...

-Preciso falar com ele imediatamente. É sobre o caso 400/1.

A secretária congelou em sua posição e arregalou os olhos, como se tivesse visto um fantasma. Sem pestanejar, pegou o telefone e discou o ramal da sala de perícia.

-Senhor Ricardo? A senhorita Scarlet está aqui. Sim, caso 400/1. - Então, a secretária desliga o telefone e volta os olhos para Miranda. - Pode entrar. Terceira sala à direita. 

Na mesa central da sala, o corpo da professora morta havia pouco mais de uma semana repousava na mesma forma assustadora que fora encontrado. O rosto começara a se putrefar adquirindo um tom cinza-esverdeado. A boca fora costurada e as pálpebras fechadas, porém a coluna ainda estava torta para trás num ângulo acentuado. Miranda não se incomodava com o corpo, nem com a sensação de estar num lugar repleto deles. Caminhou em direção ao legista, que fazia anotações numa mesa próxima à mesa de análises. 

-Ricardo.

-Miranda, esperava que viesse mais cedo.

-Imprevistos, apenas. O que temos aqui? Não tive tempo para analisar a situação do jeito que encontrei o corpo.

-Na verdade, há algo muito curioso que quero que você veja.

Ricardo dirigiu-se ao corpo da professora, e puxou um pouco a manta mortuária que cobria o cadáver. Na garganta, marcas de unhas jaziam profundas na pele da professora, juntamente com hematomas e sinais de luta.

-Vê a garganta? 

-Alguém a arranhou?

-Não. Encontrei pele debaixo das unhas dela, e batem com a pele do pescoço. Ela mesma se arranhou, como se lutasse desesperadamente por ar.

-Algo obstruiu as vias respiratórias?

-Longe disso. O pulmão está limpo, a laringe e a garganta totalmente livres. Os brônquios dela simplesmente fecharam, e a única explicação que vejo para isso é envenenamento. Ela deve ter respirado uma quantidade grande de gás nocivo para que morresse tão drasticamente. 

-Um gás venenoso pode explicar a morte, porém não explica o estado do corpo. Como a coluna dela chegou a esse ângulo?

-Pra ser sincero, Miranda, não faço a mínima ideia do que aconteceu. Algo muito forte torceu a coluna dela, isso é certo. Porém não sei o que pode ter sido, mas sei que foi alguém muito forte para deixar nesse ângulo horrendo. 

-Achou mais alguma coisa, Ricardo?

-Sim, achei. A mão dela está tensionada numa posição anormal, como se estivesse apontando para algum lugar. Se entendi bem o modo como o corpo foi achado, ela deveria estar apontando na direção da porta do laboratório de informática.

-Alguma explicação para isso?

-É uma posição pre-mortem, totalmente voluntária. Ela morreu com a mão apontando para algum lugar, e os músculos se retesaram desse modo. 

-Assim que tiver respostas sobre a causa-mortis me ligue que virei o mais rápido possível.

-Qual o próximo passo?

-Você disse que alguém forte torceu a coluna da professora, certo? Pois bem, está na hora de enquadrar alguns tipos que correspondem a este perfil!
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A Rua da Desgraça e Outras Desventuras

A Rua da Desgraça e Outras Desventuras - Capítulo Final


Eu estava me adaptando muito bem com minha nova vida. Hoje será minha primeira caçada. Não fomos caçar imediatamente por que o tempo estava ruim e Julius não estava sentindo o cheiro de nenhum animal. Amanhã nós vamos caçar bem longe daqui, onde tem animais maiores e, como Julius disse, mais suculentos. Eu nunca provei sangue, e agora é dele que preciso para sobreviver.

***

Bom, está na hora! Ainda bem, pois não aguento mais de tanta fome! Ou melhor, sede!

-Rafa! Vamos logo! Quanto mais cedo formos mais animais a gente pega!

-Já estou indo!

Quando cheguei na sala, Julius estava no sofá assistindo um telejornal que passava, mas não estava muito interessado. Finalmente, ele desligou a TV e veio falar comigo.

-Bom dia! Bom, esta é sua primeira caçada, então você vai ter que beber muito mais sangue que nós! Tente pegar muitos animais, e de grande porte, certo?

-Pode deixar!

Saímos pela porta da cozinha. O dia estava bom, com um pouco de nuvens, mas nada que fosse muito ruim. Começamos a correr. Eu não acreditava na minha velocidade! As árvores passavam como sombras por mim! Eu estava muito rápido. Depois de correr uns minutos, paramos. Um cheiro delicioso veio em minhas narinas. Achamos uma presa. Parecia ser bem grande, então resolvemos atacar. Realmente, um grande alce estava bebendo água em um pequeno lago. Esperamos a hora certa, e quando ele se virou, atacamos! Cravei minhas pesas no pescoço dele e comecei a sugar. Nunca bebi coisa melhor. O sangue quente descia pela minha garganta, confortanto meu estômago que até agora estava desconfortável. Suguei o animal inteiro, claro, com a ajuda dos outros. Quando eu vi, o bicho estava seco. Muitos ossos apareciam debaixo da pele. Não gostei muito da cena, mas a fome ainda era grande. Corremos mais uma vez. Dessa vez, não achamos apenas um alce. Achamos quatro alces, e todos muito grandes. Eram os maiores alces que eu tinha visto.

-Ainda com fome, Rafa?

-Você nem sabe o quanto!

-Ótimo! Então, vamos atacar. Derrubem e paralisem um deles. Vamos levar ele como lanche. Os outros, suguem a vontade!

Atacamos. Um animal caiu gemendo, enquanto um outro tentava fugir. Eu o peguei pela perna e puxei, enquanto segurava o que eu havia apanhado. Assim que Rodrigo chegou, logo após abater o outro animal, pulou direto no pescoço do alce que eu havia pego pelas pernas. Depois foi minha vez. Cravei mais fundo os dentes no pescoço do meu. Esse era grande, tinha muito sangue. Suguei tudo que podia, até o animal secar completamente. Os outros limpavam a boca, e quando olhei para eles, Rodrigo peguntou:

-Então... gostou?

-Não... eu adorei! Eu fiz a escolha certa em ser vampiro! É muito bom... mas e esse aí? Vamos levar também?

-Julius... esta com fome ainda?

-Não... já passou... pode ficar com ele, Rafa.
-Valeu!

Mordi com força o pescoço do alce caído. O animal gritou, mas suguei até ele parar. Percebi que minha fome havia passado, mas ainda sim tinha muito sangue no corpo inerte do alce, então continuei sugando. Quando terminei, os outros me olhavam com cara alegre.

-O que foi? Sou recém-criado! Hahaha...

-Haha... sim, sim. Isso é normal.

Finalmente, voltamos para casa. Sentia meu abdômem estufado, cheio, e até um pouco pesado. Quando chegamos em casa, as meninas já haviam acordado, e estavam muito abatidas ainda pela morte do pai. Ana chorava e dizia:

-Eu juro que vou usar todos os meus poderes para acabar com quem fez aquilo com papai! Não vou descansar enquanto não conseguir minha vingança!

Ela chorava muito. Fungou várias vezes, antes de ir na cozinha pegar um copo de água.

-Cris, o que acha de irmos treinar? Temos que pensar em outras coisas! A morte do papai foi súbita, mas só podemos rezar e torcer para que nada mais aconteça. Vamos?

-Sim, você está certa. É melhor do que ficar aqui nos lamentando. Vamos!

Assim que elas saíram, me sentei no sofá. Troquei de canal e comecei a assistir. De repente, meu corpo começou a arder, eu comecei a tremer, e desmaiei. Só me lembro disso. Acordei algumas horas depois, com Felipe dizendo:

-Eu nunca vi coisa igual! Como ele conseguiu isso? Se livrar do que foi transformado? Não, é impossível.

-Mas Felipe, o menino está corado e com pulso como quando estava vivo! Ele não é mais vampiro!

-Sim, Esmeralda, eu percebi. Só não estou entendendo como... isso é muito estranho. Oh, ele acordou. Vou falar com ele. Oi Rafa. Tudo bem?

-Argh... tu-tudo... o que aconteceu? Eu não sou mais vampiro?

-Bem, eu acho que não. Você, não sei como, conseguiu reverter sua transformação. Agora você é humano de novo.

-Meu querido... você começou a tremer no sofá. Quando chegamos, você estava corado, com pulso e suando frio.

-Nossa! E agora?

-Bom, você pode voltar para as atividades normais. Se ainda quiser se juntar a um dos mundos que não precisem de transformação...

-Vou pensar nisso...

Os dois saíram do quarto e eu fiquei pensando. Será mesmo que foi bom ter vindo pra cá? Eu devia ter pensado melhor... claro, eu não sabia que isso poderia acontecer. É melhor eu ir embora! Bom, posso ser perturbado por alguém, ou até podem me matar... eu tenho que me juntar a um dos outros mundos! Ao que me parece, os elfos são os mais seguros... sem transformações, vivem com a natureza, fazem nascer e crescer plantas e árvores do nada... acho que será bem legal. Bom, eu vou descansar um pouco, depois como algo por que estou faminto e depois disso falo com Esmeralda. Por enquanto, é melhor eu descansar mais...

Finalmente! Um dia chuvoso! Embora eu goste muito de sol e calor, fazia tempo que um dia frio não dava o ar da graça! É melhor eu sair um pouco da cama. Estou suando frio, estou com fome e sede. Deve ser por isso que estou me sentindo mal. Enquanto abro a porta, penso em algo que nunca mais deveria pensar: a clínica onde nasci. A Dr. Dilma Ezequiel ainda me paga! Aquela bruxa nojenta! Nunca pensei que um ser humano seria capaz de fazer o que ela fez. Bom, é melhor parar de pensar nisso. Quando estou no meio do corredor em direção à escada, vejo Ana lá no final do corredor. De repente, ela vem correndo em minha direção.

-Rafa, preciso falar com você! Eu tive um sonho, onde seríamos atacados por um grupo de vampiros. Você já foi um deles e eu acho que você pode aju...

Subitamente,  ela começa a me olhar assustada, como se eu fosse uma assombração.

-Vo-você se tran-transformou d-de novo?

-Claro que não! - Enquanto falo, sinto algo tocar minha boca. Quando ponho a mão, sinto dois caninos crescido na minha boca. Não pode ser! Eu não me...

-Temos que falar com Felipe!

Ela pegou minha mão e praticamente me guiou pelo lugar. Senti uma força que não pude controlar. Minhas pernas aceleraram e eu praticamente voei, junto com a Ana. Quase a mato. Paramos bem em frente ao quarto de Felipe. Ele nos olhava com cara de assombro. Senti um frio na espinha e... desmaiei de novo.
Acordei alguns minutos depois, com uma dor de cabeça terrível. Felipe estava andando de um lado para outro, com o olhar pensativo. Demais até. Ana estava do lado me olhando assustada.

-Me diga Rafael.  O que você fez?

-Como assim? Eu não fiz nada!

-Você pediu para o Julius te morder de novo?

-Não! Eu não quero mais ser vampiro! Pelo menos não depois daquilo...

-Esta bem. Até.

Ele saiu do meu quarto, junto com Ana. Como me trouxeram para cá? Bom, algo eu fiz. Preciso saber o que!

Gregory estava no sofá, comendo alguma coisa. Nunca vi alguem comer tanto como eles... vou dar uma passada na cozinha e comer algo também... talvez se eu pegasse uma bolacha de água e sal seja melhor em vez de... Ei! O que é isso? Algo me pegou pelas costas! Quem... ele colocou algo no meu nariz... o cheiro é forte... acho que vou desmaiar...

***

-Rafael, Rafael... como é bom te ver novamente! Treze anos depois e você aqui, conversando comigo... até parece que foi ontem que eu vi você nascer...

-Doutora Dilma! O que quer comigo? Já não basta ter arruinado com minha vida?

-Cala a boca menino! Nunca levante a voz comigo! Deveria agradecer pelo que eu fiz por você!

-Por mim ou pela SUA ciência? E ainda se acha orgulhosa quando diz que está ajudando a humanidade! Diga logo o que quer comigo! Por que me trouxe aqui?

-Você é uma peça muito rara, Rafael. Acha que eu deixaria você por aí?

-Ótimo! Uma louca atrás de mim! Diga, sua bruxa: o que quer comigo?

-Não me chame de bruxa, moleque insolente! Você irá fazer parte da minha pequena coleção de super-dotados! Lembra o que aqueles seus amigos idiotas lhes disseram sobre os mundos? É tudo mentira! Bom, Skallaford e  Balammond foram grandes amigos meus... até que tiveram a maldita ideia de criar os mundos... mas eu consegui acabar com eles...

-Você os matou?

-Claro que não, idiota! Eles estão numa ilha, no meio do Oceanoo. De lá eles não vão sair jamais! Os que estão nas escolas são clones, também criados por mim. Estão fazendo um ótimo trabalho...

-E o que eu tenho a ver com isso, velha?

-Bom, você, junto com todos os mundos, irá para essa ilha. Depois, ela será bombardeada e todos vocês irão para o inferno, onde deveriam estar há muito tempo! Nunca mais vocês terão liberdade!

-Ha, ha! Nós vamos escapar antes que você pense que nós escapamos!

-Se eu fosse você, não pensaria assim... a ilha é bem grande, com capacidade para todos os mundos. A vinte metros abaixo da superfície dela, há uma placa natural de Diadamtitan, um metal extremamente forte, mais até que o próprio Diamante! A ilha possui a única jazida do mundo, obviamente. Ou seja, ninguém vai escapar pela terra, fora que a capacidade de criar plantas dos elfos irá perder muita força!

-Você é burra mesmo! Se não pudermos ir cavando, iremos pelo ar e...

-É aí que você se engana! O Diadamtitan alterou totalmente os arredores da ilha. Ele criou uma espécie de redoma em volta dela, de um gás invisível, totalmente dissolvido no ar. Nada consegue detectá-lo! Nem mesmo o nariz imundo daqueles cachorros ou dos vampirinhos! Caso algo passe por lá, uma substância que tem nesse gás penetra na pele do invasor e começa a dissolver o corpo dele! Seja indestrutível, como os vampiros, ou normal, como uma ave! E não pense que com um feiticinho vocês vão sair de lá! O Diadamtitan é muito eficiente! Ele barra naturalmente qualquer feitiço que possam usar! E a água em volta da ilha também tem o mesmo resultado da substância que está naquele gás! É impossível sair daquele lugar! Vocês vão ter 12 meses até as bombas serem jogadas, e todos morrerem!

-Ma-mas... não é possível! Como você vai nos levar até lá? Somos milhares!

-Eu tenho meus truques. Agora, levem este pirralho daqui! Tenho muito o que fazer!

Os seguranças me pegaram pelo braço e colocaram um pano no meu nariz. Desmaiei mais uma vez.

***

Que merda! Preciso avisar o pessoal imediatamente! A Dr. Dilma passou dos limites agora!

-Felipe! Onde você está?!

-Aqui, Rafa.O que quer.

Ele estava descendo as escadas, em direção a mim.

-O que você está fazendo no chão?

-Eu fui sequestrado pela Dr. Dilma! Ela me disse que nós vam...

-Calma lá! Quem é a Dr. Dilma?

-Ah, esqueci de dizer. Bom, ela é uma víbora! Há centenas de anos, ela era amiga de Skallaford e Balammond, mas quando eles criaram os mundos, ela não gostou e os traiu! Mandou eles para uma ilha e estão lá até hoje! O plano dela é mandar todos os mundos para lá e bombardear a ilha para que todos morram! Temos que fazer algo!

-Calma Rafa. Você tem certeza disso? Os mundos juntos são indestrutíveis, vamos escapar de lá antes que ela possa mandar uma bomba!

-Que bomba?

Os outros chegaram de repente e ouviram a conversa.

-Rafa, explique para eles.
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Contos e Encontros Anormais

Contos e Encontros Anormais - Capítulo III


Quando é a hora da morte? Quando é a hora da vida? Que ressentimentos deixamos no mundo quando partimos e que sentimentos criamos quando chegamos? Eis alguns dos mistérios da vida e da morte.

O colégio havia sido fechado por uma semana devido ao suposto atentado que estourara os vidros do andar de baixo do Bloco 2 vitimando a diretora e a terrível morte da professora Fernanda. Todos estavam em suas casas, exceto por um aluno. Um curioso aluno, que não se contentara com o que já havia acontecido e que estava procurando por mais informações. 

Os funcionários do colégio estavam reorganizando a escola para a volta às aulas. Enquanto isso, os vidros do Bloco 2 eram recolocados e o laboratório de informática arrombado era arrumado. Em circunstâncias normais, tais feitos demorariam meses para se concretizar, porém a grande mídia voltara seus olhos para o colégio e várias denúncias de negligência foram feitas. Quase que imediatamente, técnicos foram dispensados para arrumar a escola e deixá-la no mínimo usável novamente. 

Heitor estava na segunda mesa da biblioteca Elis Regina, próxima à sua casa, com um grande livro em frente a si. Na capa, os dizeres "Estudo Aprofundado em Parapsicologia e Paranormalidade" estavam em letras garrafais sobre a simples capa preta do livro. Logo abaixo, constava o nome do autor com menos pavoneamento. Quarta seção, capítulo 20, tema 6: identificação de atividades paranormais, aparições e fenômenos extrassensoriais. Heitor olhava com profundo interesse as palavras do grande livro, estudando cada vírgula e cada ponto que parecessem interessantes. Então, finalmente, encontra o que estivera procurando.

"O aglomerado de espíritos, entidades ou demônios é denominado 'magote'. Um magote inteiro pode causar transformações físicas no local da aparição, bem como podem atentar contra a vida de animais e pessoas. As causas para o aparecimento de um magote são várias: desde rituais profanos, solo sagrado ou profanado até concentração de energias para um determinado fim.

Como exemplo atual e nem tanto moderno, cita-se o conhecido 'Jogo do Copo' ou 'Ouija', onde várias pessoas se reúnem para contatar espíritos, entidades ou demônios. Quando se reúnem para este fim, as pessoas, mesmo que sem conhecimento, concentram sua energia numa chave, que é representada pelo copo ou pelo marcador ouija, e procuram abrir um portal para estabelecer contato com outras energias. Mal sabem que tal ritual é propício e até mesmo um atalho para um caso de possessão. 

Os indicadores de fenômenos paranormais incluem, se externamente, vento forte, barulhos estranhos, objetos inanimados que parecem se mexer, sensação de desequilíbrio emocional e térmico. Caso internamente, pode ocorrer barulhos anormais, lançamento de objetos vindos 'do nada', desequilíbrio emocional e térmico, sensação de observação, perda de movimentos, sensação de culpa e depressão entre outros.

Para identificar um caso de possessão, torna-se necessária a verificação de certos indícios físicos e psicológicos. Tremedeiras fortes e involuntárias nos membros, olhar perdido e desvanecido, pouco ou nenhum sono (o que pode ser verificado pela presença de olheiras profundas e cansaço), palavras desconexas e alterações bruscas na voz. Nesse caso, é sensato chamar um especialista no assunto que tenha autoridade para tratá-lo."

Heitor parou uns segundos para refletir sobre aquelas palavras. Então, levantou da cadeira e pediu o livro em empréstimo à secretária, sendo que após isso saiu a passos rápidos do local. 
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Contos e Encontros Anormais

Contos e Encontros Anormais - Capítulo II



Em menos de dez minutos, três viaturas e pelo menos quinze policiais estavam de prontidão no colégio. Foram chamados para conter um atentato que supostamente se abatera sobre a escola. Ao lado das viaturas, a ambulância do SAMU estava socorrendo a diretora ferida, que era o caso mais grave. Os cacos de vidro da porta do Grêmio atingiram-na nos braços e no rosto, causando uma série de ferimentos pouco superficiais e marcando o chão do Bloco 2 com sangue. 

Além da diretora, outros alunos foram infligidos pelos estilhaços e precisaram de socorros básicos. Heitor e o resto de sua sala por pouco não ficaram entre os feridos. Cacos de vidro estavam por toda parte, e em pouco tempo a pequena mídia ficou sabendo do ocorrido. O Diário Grande marcou presença no local em questão de poucos minutos, tentando extrair alguma matéria de tantos fatos estranhos. A jornalista e o câmera tentavam conversar com a polícia, porém nenhuma informação era fornecida ao Diário. Em revés, o fotógrafo retratava o máximo de imagens que conseguia, seja dos feridos ou dos estilhaços no chão.

De repente, gritos ecoam do segundo andar do bloco e duas pessoas descem correndo as escadas, completamente apavoradas. 

-Socorro! Tem um corpo lá em cima! Socorro! - Gritava a garota.

-Ajudem pelo amor de Deus, rápido! 

Os policiais saíram correndo, junto com metade dos alunos da instituição em direção ao segundo andar do Bloco 2. Alguns alunos já tinham achado o cadáver, na última sala no final do corredor, e se aglomeravam, curiosos. Alguns choravam, outros tentavam manter os outros e a si mesmo calmos e ainda outros corriam na direção do banheiro para vomitar. Chegando na sala indicada, os policiais avistaram a cena mais mórbida que poderiam ter visto. A mulher estava sentada na cadeira com a coluna e a cabeça torta para trás, com a boca escancarada e uma expressão inumana. Os olhos revirados causavam agonia, e o pescoço roxo e marcado dava ânsia de vômito em qualquer um que a visse. 

-Para trás, para trás! Saiam daqui agora! Andem, saiam! - Gritavam os policiais. 

-Que raios está acontecendo por aqui? - Disse a coordenadora, incrédula com o tumulto. - Meu Deus, não é possível! Vão para o Bloco 3, agora! Não quero ninguém aqui, saiam! 

O corpo da professora Fernanda estava sendo coberto pelos policiais quando os alunos começaram a sair do bloco. Muitos passavam mal, uns ligavam para casa e outros apenas comentavam o ocorrido. Do outro lado do estacionamento, um grupo de pessoas se reuniu e começou a recitar preces de proteção e ajuda. O caos se instalou completamente. Os professores se reuniram na sala da morte para conferir se os boatos realmente eram reais.

Fernanda era uma professora de meia idade, com tipo baixo e robusto, cabelos curtos grisalhos. Não devia nada a ninguém, vivia sua simples vida como qualquer outro e jazia agora morta. 

-Quem fez isso? - Perguntara um professor.

-Não faço ideia. Dois alunos saíram gritando sobre um corpo e nós subimos. A perícia já está a caminho, fiquem calmos. - Respondeu um dos policiais.

-Como ficar calmo? Uma professora morreu, a diretora está no hospital cheia de vidro nos braços... e por falar nisso, como os vidros da parte de baixo de um bloco inteiro se estilhaçaram de uma só vez? Pode me explicar isso, policial? - Dissera Lúcia, assustada e indignada.

-Olha, eu só peço calma. Nós estamos tão assustados e intrigados como vocês, mas uma coisa de cada vez! Agora saiam, não podemos atrapalhar o trabalho da perícia.

Poucos minutos depois, os peritos criminais chegaram, junto com toda a imprensa regional. Em breve os grandes jornais, e com toda certeza a televisão, estariam aos montes buscando exclusividade.

No estacionamento, a maior parte dos alunos fora para casa, porém muitos ainda continuavam incrédulos sobre os terríveis fatos que se sucederam em apenas poucas horas. Uma invasão, janelas explodindo e cortando pessoas e uma professora morta. Como explicar isso aos pais e aos alunos? Como passar sensação de tranquilidade às pessoas se tudo desmoronava completamente? Júlia estava sentada num banco em frente ao Bloco 3, e foi pra lá que Heitor se dirigiu, junto com mais alguns de sua sala. 

-Jú? 

-Oi Karol... eu to com medo.

-Eu também to com muito medo. Vou ligar pra casa, falar que to voltando. Não fico aqui nem mais um minuto!

-Nem eu. - Disse Leonardo.

-Sabem, tudo isso é muito complexo... notaram a sequência dos fatos? Uma suposta invasão, os vidros explodem na cara das pessoas deixando a diretora ferida e uma professora morre. O que tudo isso têm em comum? - Disse Heitor.

-Ué, nada. São eventos diferentes, não podem ter relação um com o outro. - Sugeriu Alberto.

-Tudo que aconteceu envolveu, de uma maneira ou de outra, algum dos funcionários. A diretora, a professora...

-Não tem nada a ver, e a tal invasão? - Disse Leonardo.

-Você mesmo disse que a melhor forma de acabar com provas perigosas é destruindo o local que elas se encontram. - Heitor continuou. - No caso, os computadores da sala de informática! Se a professora Fernanda viu alguma coisa que não deveria...

-Alguém tentou tirar ela da jogada para sair limpo! - Sugeriu Karol.

-Exato! Alguém que fez alguma coisa grave ao ponto de fazer toda essa atrocidade. Será que foi algum aluno? - Disse Heitor.

-Não sei. Talvez. Improvável ser e fazer tudo isso. Como explodir todos os vidros do bloco ao mesmo tempo com pessoas olhando mas ao mesmo tempo ninguém ter visto nada?

-De fato, isso ta cada vez mais estranho. - Concluiu Leonardo.
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Contos e Encontros Anormais

Contos e Encontros Anormais - Capítulo I


O dia estava quente, porém as nuvens, como num pequeno milagre, impediam um pouco a passagem do sol. O trânsito da avenida estava mais congestionado que o normal. Se por um lado os carros ficavam parados, os alunos tinham tempo de atravessar. Enquanto isso, a passarela jazia praticamente deserta. Heitor subia a rua de acesso ao colégio, junto com mais outros tantos alunos para mais um fatídico dia que provavelmente seria idêntico aos outros já decorridos. Talvez a aula prática fosse adiada, novamente. 

Sentados na entrada da escola, os porteiros claramente vigiavam a entrada de alunos, atentos a qualquer problema ou anormalidade que poderia ser encontrada. Porém havia um barulho incômodo, algo estava estranho...

Após vencida a ladeira, deu-se a visão de um pequeno tumulto na entrada do Bloco 2, ao lado da biblioteca, onde um falatório sem fim entre os alunos estava instalado. Subindo o último lance de escadas, Heitor começou a ouvir a voz aguda da diretora da instituição, que tentava botar ordem na situação. 

-Silêncio, silêncio! Vão para suas salas, vamos chamar todos no Anfiteatro assim que a situação estiver esclarecida! Vão para suas salas agora!

Aos poucos, a multidão começou a se dispersar, cada grupo indo para um determinado bloco. Porém a curiosidade falou mais alto.

-Como isso foi acontecer? Por que temos seguranças na portaria se não podemos impedir uma invasão? - Dizia a diretora para um dos guardas do colégio.

-A senhora tem que entender que não foi uma invasão, é apenas uma suspeita! Ninguém entrou ou saiu, isso é certeza! Pode ter sido somente o vento, não temos pista de nada...

-Ah, sim? O vento abriu as janelas do corredor do segundo andar, arrombou a sala de informática e derrubou três computadores? Sinceramente, entre ter seguranças como vocês, é preferível não ter nenhum e investir o dinheiro em outra coisa! - Acendendo um cigarro, a diretora se afastou para fora do bloco, onde pôs-se a fumar impacientemente. 

Heitor havia se sentado num banco do bloco, onde continuou a ouvir a conversa entre a funcionária e o vigia. 

-O que você sugere que façamos? Mal temos condições de pintar um bloco inteiro ou fornecer um almoço mais completo para os alunos, quanto mais pedir três computadores novos. Afinal, o que havia de tão especial nesses computadores?

-Veja senhora, eu só cuido da segurança, não faço ideia do que...

-Você ACHA que cuida da segurança. 

-Pois veja que eu faço muito bem o meu trabalho, nunca tive nenhuma queixa e em todos estes anos trabalhando aqui é a primeira vez que isso acontece. A senhora sabe que eu to a disposição pra ajudar no que for, mas não tenho culpa de uma suposta invasão.

-Olha Oliver, eu confio em você mas entenda que eu to nervosa! O que os alunos vão pensar? Quer saber, volte ao trabalho! Tenho mais coisa pra fazer do que ficar numa discussão que não levará a nada.

O vigia desceu as escadas, enquanto a diretora terminava de fumar. Então, ela percebe que um dos alunos não havia ido embora como ordenado.

-Ei, eu não mandei ir pra aula?

-Sim, é que... estou esperando um colega para pegar um trabalho e...

-Vá esperar na sala. 

-Diretora, o que aconteceu por aqui? Cheguei e vi esse tumulto, aconteceu alguma coisa?

-Vamos chamar todo mundo no Anfiteatro logo após o intervalo, aí poderão saber de tudo. Vá pra sala, não to com cabeça pra lidar com isso agora.

O estacionamento esvaziara a essa altura, na medida do possível. Alguns poucos grupos ficaram conversando sobre o ocorrido, mas apenas boatos infundados circulavam. Assalto e assassinato eram os mais decorrentes, porém claramente nenhum obtinha crédito. Entrando pela outra porta do Bloco 2, Heitor viu boa parte de sua sala aglomerada em frente a sala de física, trocando informações sobre o que teria acontecido para tal tumulto. Chegando perto, Nayara logo indagou Heitor sobre o ocorrido.

-Heitor, viu o que aconteceu? Tá sabendo de algo? - Disse ela, na esperança que uma nova e mais precisa informação surgisse.

-Bom, até onde eu sei parece que houve uma invasão.

-Você tem certeza? - Perguntou Kaio.

-Ouvi a diretora falando com o vigia da portaria, parece que nenhum deles avistou nada de estranho. Mas a porta da sala de informática e três computadores foram derrubados, então com certeza alguém invadiu.

-Ué, não roubaram nada? Só derrubaram os computadores? - Exclamou Karol, indignada. - Que tipo de ladrão invade uma escola e não rouba nada? 

-O tipo folgado que não deve ter nada de ladrão...

-O que você quer dizer com isso Leonardo? - Karol olhava para o outro garoto com incredulidade, como se já soubesse o que sairia da boca dele.

-Tá na cara que foi algum aluno vagabundo!

-E como você tem tanta certeza? - Perguntou Nicolas.

-Vocês já viram o que tem nos computadores dos laboratórios de informática? Na próxima vez que forem lá, deem uma olhada. Destruir computadores é um bom método para se livrar de arquivos perigosos. 

-Bom galera, acho que saberemos o que aconteceu em breve... olha a polícia ali!

Na entrada do Bloco 2, cinco policiais militares, dois vigias e a diretora entravam e se dirigiam para a escada que dava acesso ao segundo piso do bloco. Porém, quando passavam em frente a sala do Grêmio, os vidros do local inteiro explodiram, como se pedras tivessem sido atacadas todas ao mesmo tempo sobre todos os vidros. A diretora foi lançada ao chão como se tivesse sido empurrada, enquanto os policiais sacavam as armas e os vigias socorriam a acidentada, que começava a sangrar através de cortes nas mãos e nos braços.
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