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  • Pacto de Ódio
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    Apenas um desenho...
    Até que ponto um simples desenho é inocente? Existem coisas macabras no mundo, e este vídeo certamente é uma dessas coisas. Confira! Leia Mais...

Enfim 2014!


Mais um ano se encerra, e junto com ele se vão planos (concluídos ou não) e sonhos de um mundo melhor. Em 2013 deixamos também saudades e emoções, além de desejos de um próximo ano sempre melhor para todos. A Equipe do Livros, sinos e velas deseja a todos os seus leitores um excelente Fim de Ano, um próspero Ano Novo e que 2014 seja repleto de alegrias, sorrisos e realizações!

Feliz 2014 e até fevereiro, pessoal! <3
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Vídeos - Apenas uma Lenda?


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|Aterrorizando|

André Vianco


André Vianco é um cara de sorte e uma escrita certeira, para se dizer o mínimo. Em 1999, após ser demitido de seu emprego em uma empresa de cartões de crédito, André usou seu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para produzir mil cópias de seu primeiro best-seller, Os Sete. Em 2000 ele foi pessoalmente a várias livrarias e editoras promover seu livro, e em 2001 a editora Novo Século se interessou por seu trabalho e republicou o livro. 

O primeiro trecho a ser analisado será justamente o primeiro capítulo de seu primeiro best-seller, Os Sete. Confira:

“Quando eles encontraram aquele navio naufragado, decidiram manter segredo. Outros mergulhadores do vilarejo conheciam o navio, mas o julgavam um amontoado de madeira inútil e podre, sem lhe dar o devido valor. Pensavam que aquela velha caravela não passasse de um reles pesqueiro antigo. Entretanto, Tiago desconfiara do formato daquele amontoado de madeiras. Seu olhar perscrutador, somado a uma intuição inquietante, empurrava-o para um exame mais minucioso. Nos mergulhos seguintes, com a ajuda de seus companheiros, conseguiu chegar à primeira certeza: aquela embarcação não era um pesqueiro naufragado, pelo menos não um deste século. O mistério alegrou o grupo. Se as expectativas se confirmassem, poderiam se deparar com um tesouro perdido, trancado dentro da velha nave. 

- Precisamos fotografar aquele barco. — disse Tiago, tirando os óculos de mergulho. 

- Você conhece o Peta? Aquele do bar. 

- Sei. 

- Ele tem câmera fotográfica, câmera de vídeo, tudo para reportagens submarinas. Ele trabalha com isso. 

- Será que ele cobra caro para nos alugar esse equipamento, César? 

- Sei lá. O cara é chato, vai querer vir junto. 

- Não, não pode. Se mais gente ficar sabendo... logo vai se armar uma puta correria em cima do barco velho.

César ajudou Tiago a retirar o cilindro das costas, depois foi sua vez de livrar-se do equipamento de mergulho. 

- Não sei como nunca ninguém se interessou em investigar melhor esse navio. Eu acho que deve ter uma porção de coisas valiosas lá dentro.”

A simplicidade e modéstia tornam o texto de Vianco gostoso e fácil de ler. E apesar de tanta simplicidade, logo no começo do livro o leitor é jogado com maestria para o começo do mistério da história. Notaram as falas brasileiras e o modo de escrever tupiniquim? Essa é a marca de André Vianco, que trás a quase inexplorada literatura de suspense brasileira à tona. Algo que é certo dizer sobre o estilo de escrita de André é a estrutura com que o texto é amarrado à realidade. Como veremos a seguir, o texto muito propiciamente trás elementos nacionais e valoriza o Brasil.

“Um grupo de senhores com fardas adentrou a sala. O último, aparentando mais de sessenta, chamou a atenção do professor não pela idade, que não destoava tanto assim das outras, mas pela farda, completamente preta, com um detalhe branco retangular bem no colarinho. Que diabos um padre estaria fazendo no meio daqueles carrancudos do Exército? 

Os militares sentaram-se em volta da mesa oval, envolvendo Delvechio em cumprimentos e acenos. 

- Professor Delvechio, este aqui é padre Alberto. Ele foi indicado por nosso capelão. Padre Alberto trabalha para o Exército como um certo especialista em casos estranhos, em coisas que estão um pouco além de nossa compreensão militar. 

- Entendo. 

- Padre Alberto já esteve presente em outros fenômenos apreciados e examinados pelo Exército brasileiro. Há alguns anos examinou nossos arquivos sobre o Caso Belo Verde. Elaborou um dossiê bastante interessante. Apesar de não concordarmos com tudo, temos de dar o braço a torcer. Realmente existem coisas que o Exército não aceita e não compreende. O senhor deve estar a par desse caso, pois a imprensa causou um alarido frenético na ocasião...”

Notaram a mistura cultural neste pequeno fragmento? Os Sete tem toda sua história aos moldes brasileiros, e vemos que a cultura do país é exaltada de forma neutra porém incisiva no livro primeiro livro de Vianco. Poucos autores contemporâneos têm essa capacidade de mesclar a fantasia com a realidade na medida certa, e realmente um texto como esse merece destaque! 

Usando cidades brasileiras famosas, como São Paulo, Osasco e Santos, o autor trás para a vida real toda a fantasia de seus livros, de modo que o leitor sinta que realmente está entrando no livro e consiga, dessa forma, imaginar cada vez melhor as personagens e suas personalidades. Já pensou como seria nevar em Osasco? Impensável? Pois André Vianco pensou isso, e realizou! Um fenômeno paranormal que só um vampiro do século XVI poderia produzir. Sendo tão famosos na mitologia medieval, os vampiros se encaixaram muito bem na prosa de André, de forma que a leitura não ficou pesada nem imprópria aos padrões atuais. Com uma pitada de romance, porém felizmente sem melosidade, o autor conseguiu de uma forma extraordinária fazer uma mescla entre a fantasia e a realidade. Logo abaixo, podemos conferir como Vianco desenha os sete vampiros que dão alma à história:

Inverno – Seu nome verdadeiro é Dom Guilherme, foi o primeiro vampiro a acordar e responsável pela ressureição dos outros (exceto Sétimo). Seu poder é congelar tudo, inclusive o ar a sua volta. É arrogante, irônico, convencido e no passado fora o senhor feudal, líder da Vila Castelo D'Ouro, no vale D'Ouro, em Portugal.

Acordador – Vampiro baixinho e robusto, que sempre fala em voz baixa, pois se ele falar alto acorda os mortos. Seu nome é Manuel e há séculos fora um hábil artesão.

Tempestade – É chamado pelos outros vampiros de Tempestas, apesar de seu nome ser Dom Baptista. Como seu apelido diz ele pode criar tempestades. Antigamente era responsável por extensos vinhedos na Vila Castelo D'Ouro. Tivera uma esposa e chegara a ter um filho. Baptista é bastante descontraído, com suas tiradas divertidas em diversos momentos do livro.

Gentil – O vampiro "bonzinho", só mata humanos quando realmente tem sede. Seu poder é parar o tempo uma vez a cada ciclo lunar. Seu nome verdadeiro é Miguel. Compadecendo-se de Tiago, ele o ajuda a salvar Eliana, tirando-o do caminho da morte ao transformá-lo em vampiro. Ele e Sétimo pertenciam a uma grande família de pescadores no feudo de Dom Guilherme antes de se tornarem vampiros.

Espelho – Capaz de tomar a forma de outras pessoas, seu nome verdadeiro é Dom Fernando e é o único vampiro negro do grupo. Fontes não confirmadas - não é citado no livro, mas certa vez o autor afirmou - dizem que Fernando fora no passado um nobre português que se compadecera da dor de seus amigos na África, assim tomando a forma definitiva de um desses amigos que tanto sofreram.

Lobo – Apesar de ser um vampiro, Dom Afonso se transforma em um lobo enorme toda noite de lua cheia, e quando quer virar a fera. É o único com descendência espanhola. No passado, fora um mercador conhecido que trafegava entre Zamora, sua cidade natal na Espanha, passando pelo vale D'Ouro e trocando suas mercadorias na cidade do Porto.

Sétimo – Sétimo filho de uma família de pescadores muito antiga. Último vampiro a despertar, mata Olavo e fica com César e Tiago como protegidos. É temido por todos os outros vampiros, exceto Miguel (Gentil), que é seu irmão. No passado, Sétimo fora mandado ao Inferno pelos outros por 150 anos, para ser escravo de Satã, em troca dos seis poderes. Quando voltou ficou sendo o vampiro mais poderoso dos sete, podendo inclusive andar sob a luz do dia.

Como podemos ver, as personagens principais são muito bem construídas e suas personalidades são simples e pouco complexa. Ou seja, a leitura é imediatamente descomplicada e direta, além de ser prazerosa e nacional. 

Dificilmente vemos um texto brasileiro contemporâneo com qualidade tão boa quanto o de André Vianco. E você, acredita em vampiros?
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Assombrações Infernais

Assombrações Infernais - Capítulo I


-Kayle, esse inferno nunca irá acabar, irá? - sussurrei com a voz trêmula.

-Meny, relaxa, eles só estão querendo nos assustar, eles não vão nos machucar. - ela disse, forçando um sorriso.

-Tomara. - sussurrei agora mais calma.

***

-Kayle, hoje é domingo, estamos em casa sozinhos. - falei.

-Meny, ainda estamos aqui. - Rayla e Léo disseram em coro.

-Ei, eu e Kayle não somos lésbicas... diferente de você - apontei o indicador para Léo, que é gay.

Todos começaram a rir. Léo riu e disse:

-Sou sim, por isso não adianta fazer esse almoço com a intenção de me conquistar.

Rimos todos juntos.

-Gente, o almoço está pronto.

Todos comeram. Rayla e Léo lavaram a louça. Enquanto isso, minhas primas chegavam em minha casa. Elas eram quase da minha idade e dos meus amigos. Kayle tinha quinze anos, Rayla, a irmã de Kayle treze, Léo e eu quatorze. Minhas duas primas, Tayla e Dardâni, tinham doze e quatorze anos respectivamente. Kayle era minha melhor amiga, ela tinha os cabelos lisos, bem pretos, os olhos dourados castanhos, pele clara, altura média e era magra, não tão magra e sua irmã era parecida com ela. Só os seus cabelos e os olhos eram diferentes. Rayla tinha os cabelos na cintura e os olhos castanhos escuros e um pouco mais baixa. Léo era lindo só que era gay, tinha os olhos verdes, cabelos loiros e pele clara. Tayla tinha os cabelos loiros na altura dos ombros e os olhos e pele claros. Dardânia tinha cabelos castanhos acima da cintura e pele parda. Eu tinha os cabelos ondulados cor de mel na altura da cintura, olhos castanhos claros e pele clara, era magra.

-Meny, - Kayle disse – vem, vamos brincar do jogo do compasso!

-Kayle, - falei entredentes - só estamos nós seis, dá medo e não é inteligente.

-Tá com medinho, Meny? - Rayla murmurou.

-Não, só estou sendo precavida. - respondi para Rayla.

-Vamos, você vai gostar! - incentivaram Léo, Tayla e Dardânia - Vem ou não? - eu assenti para eles. 
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Passado Sangrento

Passado Sangrento - Capítulo IV



No capítulo passado: Ela disse-me que eu era perseguido por um vulto das trevas, então insistiu em me hipnotizar para me ajudar a perceber o meu passado. Só assim conseguiria livrar-me do mal que me perseguia há séculos. O que vi diante dos meus olhos foi um horror terrível e inexplicável…

Antônio Albuquerque era um modesto cultivador de uvas na região Minho. Herdara dos seus pais um terreno com alguns hectares para o cultivo de das suas vinhas. Albuquerque era viúvo de Carolina, que falecera ao dar à luz a pequena Maria. Albuquerque vivia com o seu neto, Manuel. Este, ainda jovem, já se mostrara um excelente lavrador, embora passasse a maior parte do tempo a brincar às escondidas com o seu cão, Dingo.

O ano de 1808 tinha principiado, e segundo os agricultores mais experientes, aquele iria ser um ano intrincado para os produtores de vinho. Por um lado, as intempéries dificultariam o cultivo; por outro lado, as invasões francesas tinham deixado os produtores com medo de investir. Quando a crise se agravou, os agricultores que se dedicavam em exclusivo ao cultivo das vinhas, foram obrigados a transformar os seus negócios em domínios feudais, para evitar a ruína e a falência.

Foi neste quadro que António Albuquerque conheceu o Conde Darkmoon – Um poderoso senhor Feudal inglês. O conde era um jovem distinto e excêntrico, proveniente da alta nobreza Inglesa, encarregando-se de dinamizar a atividade mercantil da época: importação de diamantes, provenientes de África, exportação de matéria-prima para a Europa, entre outras menos transparentes. O poderoso Conde apropriou-se dos terrenos dos pequenos e médios proprietários, transformando a região norte do país numa grande propriedade feudal. Os proprietários não tinham alternativa: Ou resistiam ao poder do conde, (o que lhes custava posteriormente, uma pilhagem por parte dos seus bárbaros capitães donatários) ou entregavam as terras a Darkmoon, que lhes garantia trabalho e proteção, através da cobrança do respectivo dízimo. Antênio Albuquerque optou pela segunda opção.

No dia 2 de Março de 1805 veio uma notícia que abalou toda a região. Um acontecimento macabro e sangrento derrubara a família dos Condes: a filha do Conde Darkmoon, a pequena Cintia, de sete anos, fora brutalmente violada e assassinada, numa zona recôndita da Casa onde ele habitava – A casa de Sezim!

Dois meses depois, uma outra criança, desta vez um rapaz de doze anos, filho de um dos agricultores, fora igualmente violado e assassinado. O seu corpo fora encontrado nas margens do rio Tama, alguns dias depois. Inexplicavelmente, os crimes macabros, não tinham fim. Em poucos meses, sete crianças tinham sido monstruosamente violadas e barbaramente espancadas até à morte. Não havia explicação para o que estava a acontecer. O assassino tardava em ser capturado.

Na véspera de Natal de 1808, o Conde Darkmoon dera um grande festim na sua luxuosa casa. Havia um majestoso baile de gala, muita animação, presentes para todos e um deleitante jantar. Uma festa que servia apenas para a grande nobreza ostentar os seus luxos e comparar as suas riquezas. Todos os agricultores do domínio do Conde e suas famílias foram obrigados a servirem no Palácio durante o banquete.

Enquanto a festa decorria, o pequeno Manuel Albuquerque fugira do trabalho duro da cozinha e escondeu-se no meio dos loendros à procura da sua amiga Madalena. Inesperadamente, um pequeno esquilo saltou-lhe à frente e fez-lhe uma graça, como se o cumprimentasse. Atraído pelo simpático animal, decidiu persegui-lo. O bicho penetrou pelo grande jardim que havia nas traseiras do palácio e seguiu em diante, através dum longo e estreito carreiro de arbustos ornamentados. Manuel perseguia velozmente o animal. Ao fim de percorrer aproximadamente cem metros, apercebera-se que estava perdido e que o esquilo desaparecera também. Tentou encontrar o caminho de regresso, mas fora infrutífero, pois o Palácio era rodeado por uma extensa área florestal. Manuel continuou a andar em círculos, até que “algo” o fez parar; parecera-lhe ouvir vozes. Escutara um breve sussurrar que provinha de uma cabana mal iluminada que havia lá ao fundo. O jovem acercou-se da pequena cabana, dando pequenos e comedidos passos para não fazer barulho. Ao abeirar-se de uma das janelas, viu o Conde Darkmoon.

O que ele faz ali?,  pensou.

No interior da cabana, ardiam centenas de velas pretas, que descreviam um pentagrama satânico em redor do Conde, que se detinha todo nu. Ele estava ajoelhado e vociferava palavras estranhas, ora inclinando o corpo para o solo, ora levantado o dorso. Grunhia numa língua que Manuel não percebia.

“Non volo moriture,
Mors ultima ratio.
Cuique suum,
Ex dono,
Sustine et abstina,
Testis unos, testis nullus”.

Ansioso, esticou-se para conseguir ver melhor aquele cenário de horror, e notou que o Conde não estava sozinho lá dentro. Ouvira chorar. Era um choro abafado e aflitivo, mas ainda assim, era um choro.

Olhou para o canto da cabana e as veias gelaram-lhe com o que viu: a pequena Madalena, de 11 anos, estava completamente amarrada junto à parede. Darkmoon preparava-se para a estripar com uma adaga “árabe” longa e pontiaguda. Manuel não conseguira conter-se com o choque e soltou um gemido. O assassino interrompeu o seu cruel movimento e os seus olhos loucos fixaram-se na janela. Notou que estava alguém lá fora. Vestiu uma capa sobre o seu corpo nu e saiu para o exterior.

-Pare de fugir bastardo! Eu te pego! – Resmungou num tom ”sem-vida”, mas mortalmente ameaçador.

Manuel correu a toda a velocidade. Não sabia em que direção fugia. O maldito Conde perseguia-o, mas não teria chances pois ele vinha a cavalo. Ouvia o resfolgar do animal e uma intensa galopada no seu encalço. A imagem da pequena Madalena não lhe saía da cabeça. Estaria viva, ainda?, pensava cheio de pena e sem fôlego. Quando por fim, as suas pernas se recusaram a correr mais, caiu no chão, completamente esgotado e vencido pelo cansaço. Não conseguia controlar a sua respiração, nem dominar o medo. Voltou a levantar-se e tentou correr novamente.

Dera três passos e sentiu os seus pés a levantarem-se do chão. Um braço forte, tinha-o agarrado com bastante força. Olhou para cima e, ao ver o corpo enorme de um adulto, começou desesperadamente aos pontapés.

-Fique calmo Manuel! Por onde andou? Já percorremos tudo à tua procura! – Bradou Antônio, tentando acalmar o seu neto.

-Vô! – Gritou em desespero – Temos de fugir daqui!

-O que se passa? Por onde tens andado, garoto? 

Manuel contara ao avô, tudo a que assistira no meio do bosque. Avisou-os de que o medonho conde o perseguia para o matar, tal como tinha feito com as outras crianças.

Antênio regressou para sua casa naquela noite. Ele sabia que o conde Darkmoon ia aparecer. Ele era o assassino, era um monstro. Matara oito crianças inocentes, incluindo a sua própria filha. Violava e matava-as no bosque que se estendia para lá da sua casa. Por isso, nunca fora apanhado. Agora, havia uma pessoa que podia identificar o assassino: o inocente Manuel.
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Feliz Natal

Feliz Natal - Capítulo Final


A criatura foi em direção aos policiais. Com uma faca na mão, chegou em frente a Inácio e pegou sua mão amarrada, libertando-a. Inácio tentou reagir, porém era fraco comparado ao monstro. Passou a lâmina de lado a lado da mão de Inácio, fazendo com que sangue jorrasse. Em sua outra mão estava uma tigela de madeira esculpida, com aspecto antigo e antiquado. O sangue caiu na tigela, suficiente para afundar a ponta de um dedo.

-Aaaaahhhh, maldito!

Num golpe rápido, a ponta do seu dedo foi amputada como se fosse manteiga, também caindo na tigela da criatura. 

-Filho da puta do caralho! - Gritava Inácio. - Aaaaaaaaaaah!

-Dói, né? Vai doer mais! Passamos séculos sem oferendas, graças àquela invasão religiosa maldita! 

Sangue escorria sem parar da mão direita de Inácio. Halthar deixou a tigela num móvel e, com a faca, se dirigiu a Fernandes. Olhou em seus olhos profundamente e libertou sua mão esquerda. Enfiou a ponta da faca embaixo da unha do polegar de Fernandes e cortou a carne embaixo dela. 

-Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Prensou a unha entre a faça e sua garra e a torceu para cima, puxando-a e arrancando-a, jogando ela na tigela. A dor foi excruciante. 

Então, uma voz conhecida se fez ouvir.

-Halthar, querido, voltei! - Dona Cleide, aparecendo. 

-Até que enfim, minha dama. Demorou muito hein, quase tive que terminar o ritual sozinho. 

-Jamais deixaria você se banquetear sozinho! Depois de tanto tempo sem oferendas, qualquer jantar é bem-vindo.

-D-dona Cleide... você... ele... - Disse Inácio, pálido como leite.

-Os ossos? Meu marido teve mais utilidade servindo de "quebra-ossos" do que teve em vida como mecânico. Haha!

-Tenho muita sorte em ter achado você novamente, Artha. 

-Também tenho muita sorte por ter você, Halthar. - Disse Cleide. - Mas veja, você quase terminou o ritual. Agora deixe comigo, você não está forte o bastante.

-Mas você...

-Anda, sente ali na cadeira e espere eu terminar. Descanse um pouco e deixe comigo, meu precioso. 

Halthar sentou-se na cadeira da cozinha, fechou os três olhos macabros e seu corpo se curvou ligeiramente. A criatura estava como que dormindo profundamente.

Nesse instante, Cleide tirou uma corda da gaveta de um móvel próximo a Halthar. Fez menção que ia amarrá-lo, porém a criatura abriu os olhos.

-Oh querido, não queria te acordar, perdão. Quero amarrá-los mais para garantir que não fujam.

-Tem certeza que não quer ajuda, Artha? Se você...

-Não se preocupe! Durma, meu amor, durma...

Cleide começou a entoar uma canção estranha em outra língua, e Halthar caiu num sono mais pesado que o anterior. Então, a velha passou a corda lentamente por volta da criatura, atando-o a cadeira. 

-Rápido, não temos muito tempo. - Disse Cleide desatando os policiais.

-Quem é você, sua bruxa? - Inqueriu Fernandes, segurando seu polegar.

-Velhos que não fazem nada, não é? Fui professora de história celta e línguas antigas, sei muito mais do que pensam. Felizmente para mim, essa coisa aí não sabe tanto quanto eu e realmente acreditou que sou Artha.

-Quem é ele? - Perguntou Inácio.

-Halthar, autointitulado "o Poderoso". Uma entidade celta antiquíssima. Se perdeu de Artha e agora vaga tentando achá-la, ou melhor, achar a reencarnação dela. Mas não é hora de explicar isso, temos que ser rápidos. O feitiço não vai durar muito. Andem, para frente!

Cleide guiou os policiais até uma porta na cozinha. Quando abriu-a, era a despensa. 

-Rápido, entrem.

-Na despensa? - Disse Fernandes.

-Quer entrar ou morrer? Não temos muito tempo!

Os policiais entraram e ficaram quase espremidos no minúsculo cômodo. Cleide então deu pequenas instruções. 

-Assim que eu fechar a porta, tirem o pote de arroz do lugar e vão achar um botão. Apertem-no e serão descidos ao porão. Procurem por uma janela pequena, um pouco acima da cabeça de vocês. Saiam por ela e...

A cabeça da velha foi dividida de cima a baixo, quase completamente. A criatura então arrastou o corpo da mulher para fora da vista dos policiais. Inácio então fechou a porta e fez o que a mulher havia explicado. Em poucos segundos estavam no porão. 

-Caralho, temos que sair daqui rápido! - Fernandes exclamou. 

Foi então que ouviram um barulho vindo do disfarçado e inesperado elevador pelo qual vieram. 

-Estou chegando para matar vocês, inúteis!

Fernandes e Inácio começaram a procurar a tal janela que a velha havia falado. Estava semi-escondida por uma caixa de papelão em cima de uma prateleira repleta de ferramentas. 

-Porra, como vamos passar por isso, Fernandes? - Disse Inácio, com o resto de seu dedo jorrando sangue.

Num acesso de loucura, o policial abaixou e gritou.

-Inácio, usa minhas costas de escada! Rápido porra, depois você me ajuda a subir!

Inácio subiu nas costas do policial e abriu a janela, jogando algumas caixas para o lado. Após sair pela janela, virou-se para ajudar o amigo a subir, porém tudo que obteve foi um grito estridente.

-Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Foi então que dois olhos foram jogados da janela e caíram ao lado de Inácio. Os olhos, ensanguentados, eram de Fernandes.

-Filho da puta, maldito do caralho! Chega!

Inácio foi até o carro da polícia, abriu o porta-malas e retirou um galão e um pé-de-cabra. Foi até a porta da frente da casa e emperrou-a usando a ferramenta. Vizinhos olhavam de suas janelas para a balbúrdia que estava acontecendo. Então, o policial abriu o galão e começou a jogar nas paredes exteriores da casa, janelas e no carro do casal. Foi até o portão deixando um rastro de combustível, e então pegou uma caixa de fósforos e acendeu um.

-Morra.

Jogou o palito aceso na trilha de gasolina e viu a casa explodir em chamas. Junto com as chamas e a fumaça, um grito de horror e maldição subiu e chegou aos ouvidos de Inácio, e um rosto hediondo se formara nas chamas. O policial caiu no chão em posição fetal chorando em silêncio.

Poucos dias depois...

-Doutor, o paciente do quarto 09 não melhorou. Devo aumentar a dose do medicamento?

-Sim, faça isso. Ministre 150 mg. Se não obtiver resultados, mandarei algo mais forte. 

No quarto 09, o paciente Inácio Freitas estava sentado em sua cama olhando para a janela, em direção a nada. Quando a enfermeira trouxe seu medicamento, não se deu ao luxo de encará-la. Ela passou os dedos em seus curativos e verificou que estava na hora de trocá-los. Se dirigiu então ao criado-mudo do paciente onde uma pequena caixa de plástico guardava os itens essenciais para a troca de bandagem. Quando a enfermeira pegou o bisturi que era usado para retirar os curativos, novamente o paciente entrou em estado de pânico.

-Aaaaaaaaaah, socorro, aaaaaaaaaaaaaaaah!

-Enfermeiros! ENFERMEIROS! Ajudem aqui!

Dois enfermeiros entraram para segurar o ex-policial enquanto a enfermeira dava-lhe o segundo sedativo no dia. Inácio permaneceria assim até que seu estado de choque fosse curado. No criado-mudo do quarto, o pequeno cartão repousava praticamente intocado. Em sua fronte, um alegre desenho natalino, e atrás palavras simples singelas: Feliz Natal.
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