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Infância Corrompida

Infância Corrompida - Parte 7


- Os médicos o entupiram de remédios. Eu sabia que isso iria dar em alguma coisa. Eles não podem enchê-lo de remédios e esperar que nada aconteça, com certeza teria algum efeito cola...
- Calma, Emily. – sua mãe a interrompeu. - Deixe os médicos agir. Eles sabem o que é melhor para ele. – Disse ela, tentando acalmá-la.
- É claro que eles não sabem. Ele é apenas mais um paciente para eles. Eles vão matá-lo! – Emily já estava fora de si. Ela só queria alguém para colocar a culpa. Alguém em quem ela pudesse descontar sua raiva e esquecer-se da dor.
Joanne desligou o telefone enquanto soluçava e Emily bateu o telefone, deitando-se na cama e abraçando-se no travesseiro, como qualquer garota covarde faria em uma situação dessas.
Anne desligou o telefone confusa e subiu as escadas, dando de cara com a porta trancada. Ela bateu e chamou:
- Filha? – ela não esperava uma resposta, e foi o que aconteceu. – Vai ficar tudo bem. – Ela murmurou alto o suficiente para ser ouvido do outro lado da porta e foi para o seu quarto, dando um tempo à filha.
Do outro lado, Emily só conseguia pensar: “como tudo vai ficar bem?”. Ela apenas queria ser tão positiva quanto Anne. Ou, ao menos, poder mentir para si mesma.
A noite caiu e Emily deitou-se do mesmo jeito que na noite passada. A única diferença era que, dessa vez, ela não chorava. Ela não conseguia e nem podia chorar.
Há alguns anos, quando seus pais se separaram e sua mãe chorava pelos cantos, ela fizera uma promessa. De pé, em frente ao seu avô, com apenas sete anos de idade e menos de um metro e vinte, ela disse: “Eu juro que nunca, nunca vou chorar por homem algum”. Essa Emily de sete anos e feliz parecia tão distante, mas essa promessa ela cumpriria.
 “Nunca é uma palavra um pouco forte. Mas eu espero que você cumpra a sua promessa. Chorar por uma paixão é a coisa mais idiota que as pessoas fazem em toda a vida”, ela se lembra de seu avô ter dito, sentado em um dos bancos da garagem, lugar em que os dois passavam a maior parte do tempo. Ele também aproveitou a promessa para prepará-la para o futuro (naquela época, após a morte da madrinha de Emily, Stephen vinha pensando muito nisso): “Mas também não quero que chore por mim. No dia em que eu for embora, não quero ir achando que você está aqui chorando por mim. Quero que você viva normalmente. O.k.?”
 “O.k., eu prometo.”
 “Não, não prometa nada. Só lembre-se disso.”
Naquela época, Emily não entendera nada. Não entendera porquê seu avô pensava em ir embora. Mas agora ela entendia.
Vai ficar tudo bem, ela pensava. Mas, no fundo, uma voz pessimista dizia: você não pode mentir para si mesma, você não pode. Ela adormeceu, mas a voz continuava em sua cabeça, fazendo-a ter pesadelos.

No próximo dia, Emily e sua mãe foram para o hospital de manhã. Chuck ficara um pouco decepcionado ao receber a ligação de Emily avisando-o que ela não iria. Já Leslie ficara feliz por Emily voltar ao hospital.
Antes de saírem de casa, Anne recebeu uma ligação de Joanne dizendo que Stephen recuperara a fala e os médicos ainda não tinham explicações.
No hospital, as coisas continuavam as mesmas. O cheiro de morte, o branco perturbador, as pessoas chorando a morte de alguém. As únicas que mudaram fora os olhares dos familiares, que se tornavam cada vez mais preocupados e seu avô, que estava pior a cada dia. Emily tinha medo de ser a próxima pessoa a chorar a morte de alguém.
Anne cumprimentou os familiares presentes, mas Emily entrou no quarto 306 sem olhar para ninguém. Sua mãe não a culpou por isso. Poderia até dizer que ela entendeu.
Novamente, a única coisa que mostrava que Stephen ainda vivia era seu peito que subia e descia provocando um leve ronco, mas não um ronco saudável, um ronco que trousse um arrepio pelas costas de Emily e a sensação de morte.
Emily puxou a cadeira branca que se encontrava ao canto do quarto e sentou-se, pousando as mãos em cima da cama.
Sua mãe abriu a porta e lhe informou:
- Ele teve uma reação alérgica a um dos remédios enquanto vínhamos para cá. Não pode falar por enquanto.
Emily assentiu e Anne os deixou a sós.
Emily não sabia como não havia notado isso antes. Acho que talvez não quisesse notar. O ronco era causado pelo tubo que saia de seu pescoço pelo qual ele respirava. Era uma cena triste.
O ronco de Stephen e o barulho do monitor cardíaco eram assustadores. Emily tinha uma visão de como seria um hospital. Mas nunca conseguiria imaginá-lo. É sempre muito pior.
Ela pousou o queixo nas mãos, toda a sua esperança havia ido embora, voltando para a caixa de Pandora, de onde nunca deveria ter saído.
Seu queixo bateu um pouco mais forte do que ela esperava, fazendo a cama balançar e Stephen acordar. Ele abriu os olhos verdes e cheios de sabedoria. Aqueles olhos que se tornara sua camomila durante anos.
- Ei. – ela sorriu, embora seus olhos estivessem tristes.
Stephen sorriu de volta.
Emily não sabia o que falar. Sua voz havia sumido, ido embora junto com sua esperança.
Depois de alguns minutos, ela não agüentou mais o silêncio.
- Você vai morrer? – ela perguntou como uma criança inocente. Esperando que ele sacudisse a cabeça em um não, apenas para recapturar sua esperança.
Stephen encolheu os ombros.
- Você acha que vai morrer?
Ele não se mexeu, apenas a olhou com um olhar triste. Emily entendeu.
- Não, você não pode, não pode... – disse ela entre lágrimas. Sua promessa se fora.
Ele a puxou para o seu peito, abraçando-a.
- Não, não pode. – Ela continuou. Mas agora falava de outra coisa.
Emily engoliu em seco. Ele não podia morrer sem saber. Precisava saber que sempre estivera certo. Ela engoliu novamente adiando o momento.