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    Apenas um desenho...
    Até que ponto um simples desenho é inocente? Existem coisas macabras no mundo, e este vídeo certamente é uma dessas coisas. Confira! Leia Mais...

Ouija, o jogo

"E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz."
2 Coríntios 11:14


OUIJA, O JOGO

Os acontecimentos a seguir, ocorrem entre 19:00h e 00:00h.

Já era noite na cidade. Meus pais haviam saído de casa para jantar, faziam isso pelo menos uma vez no mês, na sexta-feira. Toda vez que eles saem costumo me encontrar com alguns amigos em frente a uma lanchonete que fica na praça. Mas hoje resolvi ficar em casa, não estava com vontade de sair. Deitei na minha cama e fiquei ali pensando durante alguns minutos, depois peguei meu celular que estava na mochila e liguei para o João, um dos meus amigo de infância (nem somos tão velhos assim, tenho 16 anos e ele 15), chamei-o para vir aqui para casa e assistir alguns filmes, pedi para que chamasse o restante do nosso grupo, que era composto pela Aline, Ellen, Pedro e Guilherme. Combinamos tudo e marcamos a hora do encontro, seria às 20:00h.

Desci as escadas em direção a cozinha para preparar alguns lanches para comermos enquanto alguns assistiam ao filme e enquanto outros dormiam (isso era sempre comum por parte do Guilherme). Alguns minutos se passaram, e eu já havia terminado os afazeres na cozinha. Cobri a comida com uma toalha e fui para a sala. Fiquei por lá assistindo um pouco até a hora dos meus amigos chegarem.
Não demorou muito até que soasse o som da campainha. Levantei-me rápido e me dirigi até a porta para abri-la.
Ufa! Até que fim vocês chegaram. ― falei aliviado.
Depois de minutos angustiantes de espera que pareciam horas (sempre é assim, quando queremos uma coisa o tempo pirraça).
Foi a Ellen, demorou demais para se arrumar, pensei que fosse casar. ― respondeu prontamente o Pedro, que já estava ansioso pra assistir ao filme.
O que tem pra comer? ― perguntou o Guilherme.
Sanduíche, pipoca e refri. ― respondi.
Ótimo, vamos começar porque tô com fome. ― disse sorridente Aline.
Ingressamos na casa e todos se acomodaram no sofá. Ligaram a TV e ficaram procurando em algum canal de televisão, algo que lhes chamasse a atenção. Subi pela escada e fui em direção ao meu quarto pegar alguns DVDs com filmes, desci e começamos a procurar algum que nos chamasse à atenção e nos excitasse a assistir. NADA! De todos os filmes que eu tinha a maioria já havia assistido e os filmes inéditos eles não queriam assistir, esperavam fazer algo novo naquela noite.
Passado alguns minutos de intensa procura por algo motivador na TV, resolvi entrar na internet e procurar alguma coisa boa para se fazer.
Que saco! Não tem nada de bom pra se fazer! ― falei consternado. Sites afora, digitei em um buscador a seguinte palavra-chave: JOGOS. A lista era enorme, até que uma em especial chamou a minha atenção: “OUIJA, O JOGO”. Ouija? Pensei. O que seria isso? Curioso, cliquei instantaneamente sobre o link mostrado. Fui direcionado a uma página de web completamente escura, as fontes das letras eram bizarras, às vezes chegavam a ser até mesmo assustadoras. Procurei me situar e ver o que seria esse jogo.
Hum... Nunca ouvi falar nisso antes, que tipo de jogo será esse? ― falei comigo mesmo. Procurei durante alguns minutos o bendito jogo até que encontrei uma pequena descrição sobre ele.
É um tabuleiro com letras e números! ― exclamei. Fiquei duvidoso, como um tabuleiro assim poderia ser um jogo, além do mais, divertido? Olhei o passo a passo de como elaborá-lo. Fui até o armário no quarto da minha mãe, peguei uma cartolina branca e um pincel atômico. Olhando pelo site, fiz o tabuleiro. Em seguida, peguei-o e levei até a sala onde os outros estavam...
― Galera, galera! ― gritava euforicamente a todos. ― Vejam um jogo massa que aprendi e que nós vamos jogar hoje! ― falava com muito entusiasmo ao mesmo tempo em que mostrava o tabuleiro feito sobre a cartolina. Todos olhavam para mim com certo entusiasmo, afinal, era algo novo do qual nunca havíamos brincado.
Bem, isso é o jogo do copo? ― perguntou-me Aline.
É sim ― respondi. ― Conhece esse jogo? ― perguntei a Aline.
Claro, né? Quem não conhece esse jogo? ― respondeu-me rispidamente.
Senti o rosto corar, mas fiquei calado, afinal, parecia que era o único que nunca tinha ouvido falar no tal jogo.
Vocês tem coragem mesmo de jogar isso? ― perguntou Aline. Aquela pergunta me fez gelar o estômago.
Claro! ― falei animado. ― Nunca joguei isso, tô curioso, e aí, topam? ― perguntei entusiasmadamente. Senti certos olhares de dúvidas em relação ao jogo. Mesmo assim comecei a insistir, no fim, todos toparam mesmo com muito receio, não vou mentir, até mesmo eu ainda estava sentindo um pouco de medo, fiquei com dúvidas do por que dessa ‘coragem’ que falou Aline.
Colocamos o tabuleiro sobre a mesa, fui até a cozinha e peguei um copo de vidro, e levei até o tabuleiro. Todos se posicionaram em volta da mesa.
Atenção, vamos começar, ok? ― avisei a todos.
― Precisa apagar a luz e acender algum tipo de vela? ― perguntou Guilherme.
Acho que não, onde eu peguei não falava nada disso, só dizia pra colocarmos os dedos indicadores sobre o copo, e ele deve estar localizado no centro do tabuleiro, só isso.
Claro que não é só isso. ― bradou Aline. ― Temos que chamar o espírito “bom” ― avisou. Pensei comigo mesmo, como que faríamos para chamar o espírito, pois lá no site não ensinava como fazer tal coisa.
Você sabe como se chama os espíritos, Aline? ― perguntei gentilmente.
Claro que sei! Já brinquei disso uma vez, e foi muuuito legal! ― respondeu. Pela primeira vez pude observar certo ânimo nas palavras de Aline, há pouco tempo ela mesma quase nos fez desistir de jogar, dando a entender que aconteceria alguma coisa durante o jogo.
Então nos ensine, comece! ― falei. Ela nos chamou e pediu para que colocássemos nossos dedos indicadores sobre o copo, assim o fizemos.
― Tem algumas coisas que vocês precisam saber: não riam, não façam deboche do espírito e de maneira nenhuma saia do jogo sem permissão. ― alertou-nos Aline.
Sem permissão? ― perguntou Ellen. ― Permissão de quem? ― tornou a perguntar.
Do espírito, oras. ― respondeu Aline.
Aquela resposta me fez gelar a espinha. Por que diabos teríamos que ter permissão para deixar um jogo que nós mesmos começamos? Perguntei-me.
Entendidos? ― perguntou Aline.
Certo. ― falamos em coro.
Aline começou a fechar os olhos como se estivesse entrando em ‘transe’. Nós nos olhamos meio que assustados, queríamos saber se Aline estava brincando com a gente ou estava levando aquilo muito a sério.
Aline? Tá com dor? ― perguntou ironicamente Pedro. Guilherme deu um leve sorriso de canto de boca e Ellen não parava de olhar para Aline.
Cala a boca, Pedro! ― falei. ― Aline? Tá tudo bem com você? ― perguntei timidamente.
Claro! ― respondeu-me sem abrir os olhos e sem sair da posição que se encontrava. ― Podemos começar agora... ― falou. ― Oh, espíritos bons, tem alguém aí? ― perguntou Aline.
Ainda continuamos nos entreolhando de modo inseguro. Nada acontecia. Aline tornava a perguntar, isso se repetiu umas quatro vezes até que Guilherme falou:
Isso é idiotice, nada vai acontecer, não estão vendo? ― sua voz parecia enfurecida, afinal, Guilherme não gostava de coisas muito ‘agitadas’.
Calma, Gui. ― falou Aline. ― Posso sentir que ‘eles’ já estão chegando. ― respondeu calmamente Aline. Epa, ‘eles’? Pensei que só seria um espírito. Depois que Aline falou isso eu não parava de me arrepiar, sentia calafrios a todo o momento, era como se alguma coisa gelada passasse ao meu redor.
Gente? ― falei. ― Acho melhor paramos, não tô gostando de algumas coisas. ― falei desejando que todos aceitassem a minha proposta.
Não, espere! ― falou Aline.
Verdade, já cansei disso, nada vai acontecer e não tem ninguém aqui. ― disse Ellen.
Cara, pude jurar que senti um vulto passando do lado de fora da janela. Aquilo tinha me deixado mais assustado ainda.
Eles chegaram, não falei que viriam? ― respondeu Aline. Engoli seco e senti minhas pernas balançarem. Pressenti que não iria gostar do que viria a seguir...
Depois que a Aline falou aquilo, eu me esforçava ao máximo para me manter em pé, tentava controlar minhas pernas, pois elas não paravam de tremer. Sabe aquela sensação de estar sendo observado? Era desse jeito que me sentia, só que não era observado por uma só pessoa, mas sim por várias e era isso que me deixava com mais medo. Quando olhei para o Pedro, percebi que ele olhava para Aline de um jeito que me fez perceber que eu não era o único que estava com medo ali.
A-Aline? ― consegui balbuciar. ― Acho melhor pararmos agora, por favor... ― falei.
Desculpe, mas como falei antes, não podemos sair sem a permissão ‘deles’. ― falou. Cara, aquelas palavras quase me fizeram cair, tive que segurar na mesa com uma das mãos, já que a outra ainda estava sobre o copo.
Quem está aqui? ― perguntou Aline. Nada acontecia.
Droga, isso já me cansou! ― falou enfurecido João, pela primeira vez ele se manifestara. (João era daquele tipo: tudo para ele estava bom). ― Tô saindo, valeu? ― falou de novo. Quando João tirou o dedo sobre o copo, um vento fortíssimo adentrou pela casa fazendo a janela fechar com força. Aquilo foi à última gota para mim. Quase eu não precisaria ir ao banheiro tão cedo, mas me segurei.
Aline, agora chega! Não vamos mais brincar com isso! ― falei autoritariamente.
Querido, isso não é comigo, ‘eles’ que decidem. E tenho a certeza de que vocês não vão querer vê-los furiosos ― falou Aline como se estivesse gostando daquela situação.
João? Coloque seu dedo aqui, já que começamos, vamos terminar ― João estava com os olhos enormes, pelo susto que acabávamos de tomar, aliás, todos estavam assim, menos Aline. ― Qual seu nome, espírito, diga-nos ― falou Aline. Pela primeira vez, não pude acreditar no que acabara de acontecer: o copo balançou.